Recordista brasileiro de embaixadinhas conta sua história

17 de Outubro de 2017

José Luz, natalense das Rocas, é um apaixonado pelo futebol desde crianças. "Sou nascido e criado no mangue, nosso divertimento era jogar bola. Naquela época, os bairros tinham seus próprios clubes que ofereciam oportunidade para a gente ser craque", explica. Os pais dele não apoiavam essa paixão, ainda assim, ao longo dos anos, ele foi colecionando conquistas: se tornou tricampeão juvenil pelo América, jogador da seleção da FAB, campeão pelo Potiguar de Parnamirim, entre diversos outros.

Mas, nas voltas da vida, ele se tornou funcionário da Petrobrás. Trabalhou na empresa até 1996, quando se demitiu. "Eu fiz uma loucura! Tudo aquilo que eu contruí foi embora. Aos 46 anos, eu me vi sem saída. Um belo dia, cheguei em casa e vi na televisão o anúncio de um campeonato de embaixadinhas no Palácio dos Esportes e um dos prêmios era uma bicicleta. Meu filho, Eduardo, me convenceu a ir. Cheguei lá, cansado, sedentário, com ressaca e, aos poucos, fui ganhando de cada um dos meus adversários até vencer a competição", relembra.

Ali, José Luz dava seu primeiro passo como atleta da embaixadinha. Desde então, começou a participar de corridas de rua, fazendo embaixadinhas. "Em 2000, meu plano era participar da São Silvestre em São Paulo. Recebi a seguinte proposta: se eu fizesse o percurso da TV Cabugi até o Praia Shopping, ganharia as passagens. Foi o meu primeiro ano lá", explica.

Ao longo desses anos, José Luz conta com o apoio do professor Carlos Alberto Souza que criou rotinas de treinos para fortalecimento muscular, força, resistência e técnicas de embaixadinha. "Quando ele começou, a bola subia entorno de quase um metro de altura. Desenvolvemos formas de ele manter a bola mais baixa, para poder caminhar por mais tempo. Temos rotinas de exercício na areia, no asfalto, subindo e descendo ladeira e recriando os percursos das provas", conta o professor.

A escolha pelo esporte mudou a vida de José Luz. Ele foi superando traumas e desgastes emocionais, financeiros, psicológicos e físicos. Hoje, o atleta detém o recorde nacional de mais idoso a participar da corrida de São Silvestre fazendo embaixadinhas. O feito foi alcançdo em 2015 quando, aos 65 anos, ele percorreu 10 quilômetros com a bola no pé, num tempo de duas horas e 20 minutos. Recorde que ele pretende quebrar em 2017.

"Eu não percorri o trajeto inteiro da corrida. Esse ano, se eu completar os 15 quilômetros totais, estarei no Guiness Book. E eu acho que estou pronto para fazer isso", afirma José Luz. Com 67 anos, ele diz estar melhor do que quando era mais novo. E seus planos não acabam no recorde mundial. "A próxima meta é participar de meias marotas percorrendo 21 quilômetro", finaliza com otimismo.

José Luz é um dos diretores do CEPE Natal e conta com o clube como um de seus apoiadores!